1º de julho: a data que eternizou a vontade popular de Vila Pavão

De abaixo-assinado com 107 assinaturas em 1987 à Lei Estadual em 1992, trajetória mostra como mobilização popular, superação de obstáculos legais e plebiscito histórico deram autonomia ao então distrito de Córrego Grande

06 de julho de 2026 às 13h36.

Comício pela emancipacão politica de Vila Pavão em 1989 na calçada do Cartório. Sargento Lourival (fardado) França Onerzorg, Jair Monte (camisa branca, encostado na parede; seria o 1º secretário de agricultura), Adavir Schneider (professor) camisa preta, ao lado de Jair Monte, encostado na Parede, Vantuil Cordeiro (chefe da incaper local), olhando para Adavir, Salvador Bonomo (deputado estadual), Eraldino Jann Tesch (vereador), atrás de Antônio Teixeira Maria (vereador, articulador da emancipação), Erno Júlio Dieter (voltou do RS, para ser candidato a prefeito, camisa branca, mão no queixo), Capitão Lelis do batalhão de Nova Venécia, Onilton Hoffmann (de boné, na frente do capitão Lelis), Lorentino Foerste (vereador, atras da caixa de som, atras do Capitão Lelis) e Alvim Batista

A emancipação política de Vila Pavão completa 36 anos como símbolo da força de um povo que acreditou em seu próprio potencial. Lideranças comunitárias, entidades civis, escolas, igrejas e moradores se uniram em uma ampla mobilização popular que culminou na conquista da autonomia do então distrito de Córrego Grande, dando origem ao município e inaugurando uma nova etapa de desenvolvimento e oportunidades.

O primeiro passo e o obstáculo da arrecadação

O primeiro passo oficial rumo à emancipação ocorreu em 1987, quando o professor Hélio Timm e o escrivão Alfredo Vignatti encaminharam um abaixo-assinado com 107 assinaturas solicitando a criação do novo município. Na época, porém, o maior obstáculo era o cumprimento das exigências legais relacionadas à arrecadação estadual. Enquanto a legislação determinava que o distrito alcançasse um índice mínimo de 0,005 da arrecadação do Espírito Santo, Vila Pavão registrava apenas 0,001.

Nascimento do Grupo EmanciPavão

Diante desse desafio, nasceu, em 1988, o Grupo EmanciPavão, idealizado pelo vereador Antônio Teixeira Maria (PT) em conjunto com o Centro Integrado de Educação Rural (CIER). O grupo reunia-se semanalmente na então Escola Córrego Grande, atual Escola Municipal Ana Portela de Sá, e organizou uma ampla mobilização comunitária em defesa da emancipação.

Além do trabalho de conscientização junto ao comércio para emissão de notas fiscais em nome de Vila Pavão, o movimento promoveu mutirões para melhorias em ruas e estradas, realizou palestras com os prefeitos José Rochinha, de Águia Branca, e Helmar Potratz, de Santa Maria de Jetibá, e contou com assessoria jurídica do advogado Florentino Jacobsen Krause. O CIER teve papel fundamental na elaboração da documentação necessária para o processo.

Superação e mudança na legislação

O esforço coletivo produziu resultados expressivos. Em 1989, o índice de arrecadação do distrito subiu para 0,003, enquanto a Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovava uma alteração na legislação, reduzindo a exigência mínima de 0,005 para 0,0025. Com isso, Vila Pavão passou a atender aos requisitos legais para a emancipação. Mesmo diante de dificuldades e até ameaças sofridas por integrantes do movimento, a luta não foi interrompida.

O plebiscito histórico

Restava, então, a realização do plebiscito. A consulta popular aconteceu em 1º de julho de 1990, em um dia marcado pelo frio e pela chuva, fatores que dificultaram o deslocamento de muitos moradores da zona rural. Dos 3.837 eleitores aptos, 2.290 compareceram às urnas. O resultado foi amplamente favorável à emancipação: 2.123 votos pelo "sim", 108 pelo "não", além de 23 votos nulos e 27 em branco, distribuídos em 18 urnas.

Pela expressiva participação popular, o primeiro prefeito eleito, Erno Júlio Dieter, por sugestão da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, instituiu o 1º de julho como o Dia da Cidade, em homenagem ao protagonismo da população na conquista da autonomia política.

A consolidação oficial

Na época, o distrito possuía aproximadamente 12 mil habitantes, incluindo a comunidade de São Luiz do Quinze, que posteriormente permaneceu pertencendo ao município de Nova Venécia por questões geográficas.

A emancipação foi oficialmente consolidada em 11 de janeiro de 1992, quando o governador Max Mauro sancionou, em praça pública, a Lei Estadual nº 4.517, criando oficialmente o município de Vila Pavão. A cerimônia reuniu centenas de moradores em um momento histórico que permanece vivo na memória da população.

Protagonismo de diversos segmentos

Diversos segmentos da sociedade tiveram participação decisiva nessa conquista, entre eles as escolas CIER e Ana Portela de Sá, as igrejas Luterana, Católica e Assembleia de Deus, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, além dos grêmios estudantis GESC e GEAR, que contribuíram para mobilizar a juventude e fortalecer o movimento emancipacionista.

Com a criação do novo município, Nova Venécia perdeu cerca de 32% de seu território, enquanto Vila Pavão iniciou sua trajetória administrativa com aproximadamente 10 mil habitantes. Naquele período, destacaram-se ainda as lideranças políticas de Valter De Prá, prefeito de Nova Venécia, do deputado estadual Salvador Bonomo, além de Adelson Antônio Salvador e Antônio Moreira, que também colaboraram para o processo.

Representatividade política em ascensão

A representatividade política do distrito também crescia. Na última legislatura antes da emancipação, Vila Pavão elegeu cinco vereadores para a Câmara de Nova Venécia: Antônio Teixeira Maria, Lorentino Foerste, Eraldino Jann Tesch, Ercílio da Fonseca e Theodoro Emílio Braun. Anteriormente, o distrito conseguia eleger, no máximo, dois representantes.

Legado de união e perseverança

Mais de três décadas depois, a história da emancipação política de Vila Pavão permanece como um exemplo de união, perseverança e participação popular. A conquista da autonomia administrativa tornou-se um marco na construção da identidade do município e no fortalecimento de seu desenvolvimento econômico, social e cultural.

 

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